Raiva infantil: Saiba como lidar junto com seu (sua) filho (a)

Embora sentimentos de raiva infantil sejam comuns em determinadas fases do desenvolvimento dos pequenos, crises frequentes podem causar problemas e gerar impacto na vida familiar e social da criança.

Crianças que não aprendem na infância a lidar com suas emoções crescem e se tornam adultos que não sabem reagir diante situações adversas. Pessoas que explodem facilmente, choram por qualquer coisa, têm reações inadequadas de maneira geral podem ter sido crianças que nunca foram orientadas sobre como identificar sentimentos e responder a eles e por este motivo é extremamente importante ensiná-las a lidar com as emoções de forma adequada.

A alfabetização emocional é um conceito formulado na década de 1990, época em que surgiram as primeiras pesquisas neurocientíficas para entender como o cérebro humano processa as emoções e os pensamentos. Este conceito parte do princípio que, assim como é possível aprender a reconhecer as letras por sua grafia e associá-las a um fonema, os sentimentos também podem ser identificados e atrelados a determinados comportamentos. Basta saber interpretar as reações que as emoções provocam em nós: lágrimas de tristeza, sorriso largo de alegria, mãos inquietas de ansiedade, a voz que se eleva na hora da raiva. Nossas expressões faciais, gestos, tom de voz e as palavras que usamos refletem o que sentimos. Mas a alfabetização emocional não se limita a decifrar esses sinais. “O conceito inclui saber comunicar os próprios sentimentos de forma adequada e produtiva, perceber que as emoções influenciam as nossas decisões diárias e refletir constantemente sobre como nos sentimos em diferentes situações”, explica a psicoterapeuta Fernanda Furia, fundadora da consultoria em Psicologia e Educação Playground da Inovação e mestre em Psicologia de Crianças e Adolescentes pela University College London (Inglaterra).

É fácil? Não, não é! Principalmente, porque a maioria dos pais cresceram com algum tipo de falta nessa área de educação emocional. Então, é um aprendizado que é construído entre pais e filhos.

Devemos lembrar que parte das reações das crianças são provenientes das atitudes dos pais. Aquela reação exagerada pode ter como motivação a discussão sobre algum assunto que a criança ouviu e achou que era a forma correta de se expressar.

O ponto é: não adianta aplicar a alfabetização emocional na criança se os pais não começarem primeiro. Nossa sugestão é que comece a reparar nas reações exageradas que tem durante o dia diante das situações e até dos ‘’nãos’’ que recebe. Como fala do seu chefe dentro de casa? Quais são suas expressões nas conversas e o quanto reclama?

Todos esses pontos influenciam a educação emocional das crianças.

Para ajudá-los nesta nova jornada, deixaremos algumas dicas para apoiá-los.

  • Reconheça seus sentimentos

Para muitos de nós, ouvir nossas crianças chorarem, ou vê-las tendo uma explosão de raiva é muito difícil. Nós sentimos sua dor, mas também nos sentimentos desconfortáveis e só queremos fazê-las parar. Essa é uma reação muito compreensível.

No entanto, nossos filhos precisam expressar seus sentimentos. Eles precisam aprender que não há nada de errado em sentir e é isso o que importa.

Sentimentos que são expressos não ficam reprimidos e essa é uma grande lição para as crianças aprenderem desde cedo na vida. Esse contato com seus sentimentos também ajuda para que a criança aprenda a regular a intensidade deles. No futuro, elas serão mais capazes de fazer escolhas acertadas com relação ao que sentem.

  • Tentem, como pais, manterem-se centrados, equilibrados e em crescimento pessoal.

Os nossos filhos têm os pais como espelhos. Se os pais transmitirem mensagens de equilíbrio ou mesmo de busca por equilíbrio, é isso que será captado pelos pequenos. Quando a criança está chateada, oriente-a a ter respirações profundas, acomode-a perto de você, sinta o seu coração, sua barriga…ajude-a a se equilibrar oferecendo a si mesmo (a) como referência.

Oferecer a seus filhos o seu próprio centro de equilíbrio tornará muito mais fácil a interação com eles. Experimentem e verão que eles responderão a isso.

  • Depois que a poeira baixar, sentem-se para conversar

Após a criança se distrair e se acalmar, sente-se com ela para conversar. Busque entender e fazê-la entender também o que aconteceu para deixá-la tão nervosa. Como ela se sentiu com isso? Como ela reagiu? Quais os melhores caminhos para enfrentar as – inevitáveis – frustrações? Você pode incentivá-la a sempre expressar o que a está incomodando, seja por conversa, desenhos ou um diário! Assim, você evita que novos ataques de raiva sejam frequentes.

  • Proponha uma atividade que auxilie a criança

Outra ótima dica é propor um jogo, um passeio para espairecer ou até mesmo um filme! Assim, você tira o foco do incômodo e o entretêm, fazendo com que ele vá se acalmando. Movimentos que fazem a criança prestar atenção no próprio corpo também são boas para acalmar, como abrir e fechar as mãos ou inspirar e soltar o ar.

  • Incentive que o pequeno expresse os motivos de sua insatisfação

Por mais que o momento da raiva não seja o ideal para perguntar o que está se passando com seu pequeno, o diálogo é sempre um bom caminho. Portanto, ao invés de tentar falar mais alto, tente escutar o que está frustrando a criança. Deixe que desabafe. Quando falamos em voz alta o que estamos sentindo, conseguimos compreender melhor a situação, enxergando-a com mais clareza. Caso seu pequeno já saiba escrever, você pode pedir para que ele registre com palavras o motivo da sua raiva. Se ele for mais novinho, sugira que faça um desenho para expressar os motivos de sua insatisfação.

Fontes:

Blog Leiturinha

Escola da Inteligência

Blog Maternidade Simples

Universidade de Yale

Blog Conti Outra

Blog Crescer