USO DAS REDES SOCIAIS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

“Steve Jobs, CEO da Apple até sua morte em 2012, revelou em uma entrevista ao New York Times que proibiu seus filhos de usar o recém-lançado iPad. “Limitamos a quantidade de tecnologia que nossos filhos usam em casa”, disse Jobs ao repórter Nick Bilton.”

Redes sociais prejudicam relações com amigos e família se usado em excesso!

Pesquisa mostra que usuários se encontram menos com pais, amigos, filhos e até parceiros por causa da internet; ‘mudanças são tão profundas como foi a descoberta do fogo’, diz especialista

“Meus pais usam as redes sociais para me vigiar, então eu os bloqueei”

Essa frase parece um absurdo, mas não é raro encontrar adolescentes, por se sentirem privados, bloquearem familiares para se expressar sem censura nas redes, é ai que mora o perigo, na pré-adolescência e adolescência não pode existir privacidade, ela é perigosa. Diz o psiquiatra e escritor, paraibano Rossandro Klinjey, especialista no assunto e youtuber consagrado, palestrante há mais de 10 anos.

Escritor do livro ”HELP! ME EDUQUE”, Editora LETRAMAIS, fala muito sobre esse assunto em suas palestras e pede aos pais que foquem o fortalecimento do contato com os filhos e a proteção da família, ele diz que essa é a solução para diminuir e eliminar a quantidade exorbitante de suicídios que acontecem pelo uso excessivo das redes sociais sem acompanhamento, “É como se entregássemos nossos filhos em bandejas”…..

Ele ainda ressalta, que a privacidade nessa idade pode causar a perda do seu filho dentro de sua  própria casa! ”São assustadoras as histórias que chegam ao meu consultório com a desculpa da “TAL” privacidade exigida pelo adolescente.”

“Hoje existe o empoderamento precoce da criança e do adolescente e quando você da poder a quem não tem maturidade e habilidade, você cria um tirano no próprio lar.” Rossandro Klinjey .

“Os mais jovens têm de enfrentar hoje coisas inimagináveis no passado, como a exposição e a permanência nas redes sociais daquilo que eles fazem e falam, por exemplo”, diz Roberto Sassi, psiquiatra infantil e professor da Universidade McMaster, no Canadá.

Segundo Sassi, a adolescência é uma fase de experimentação, na qual o jovem age de modo mais impulsivo e arriscado. “Faz parte do desenvolvimento pessoal aprender com os erros. O problema é que agora esses erros podem ficar marcados de forma indelével, com consequências maiores.”

Artigo publicado recentemente na revista da Academia Americana de Pediatria fez vasta análise da literatura científica sobre o tema. Na questão do cyberbullying, uma meta-análise de 131 estudos mostrou que adolescentes que passam por essa experiência apresentam risco maior de desenvolver problemas mentais e físicos. “O uso de internet em geral e a experiência de ser vítima de cyberbulling estão associados a mais pensamentos suicidas e comportamentos de automutilação”, diz o artigo.

Outro estudo, esse publicado em meados de outubro, analisou os efeitos de se passar muito tempo em frente a telas de aparelhos eletrônicos na saúde mental de crianças e adolescentes.

Cristiano Nabuco -Especialista de dependência tecnológica da USP diz:

É frequente a situação aonde todos sentados à mesa de jantar em silencio e mexendo em seus celulares! isso, visto de fora  fica chocante, mas de dentro parece que existe um fluxo torrente quase impossível de resistir, a aparente paz no jantar esconde o turbilhão que as informações estão sendo absorvidas e muitas vezes decisões por impulso sendo tomadas pelas mentes despreparadas de nossos adolescentes.

O uso patológico dos videogames já é mencionado na quinta edição do Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais, espécie de cartilha da psiquiatria, lançada em janeiro. A “dependência de internet” está a um passo de se tornar a mais nova classificação psiquiátrica do século 21. “Na China, tornou-se problema de saúde pública, com a abertura de 150 centros de tratamento para dependentes de games. No Brasil, muita gente não sabe que a dependência virtual é um problema”, alerta Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Até Tim Cook, atual CEO da Apple, disse que não permite que seu sobrinho participe de redes sociais online. O comentário seguiu os de outros especialistas em tecnologia, que classificaram as mídias sociais como prejudiciais à sociedade. Cook depois admitiu que os produtos da Apple não são destinados ao uso constante.

“Eu não sou uma pessoa que diz que alcançamos o sucesso se você estiver usando isso o tempo todo”, disse ele. “Eu não concordo se alguém disser isso.”.Um dos estudos mais impactante, e frequentemente citado por psicólogos, foi publicado em 2014 em uma revista especializada em Computadores em Comportamento Humano. O experimento envolveu cerca de 100 pré-adolescentes, metade dos quais passou cinco dias em um retiro livre de tecnologia, engajados em atividades como arco e flecha, caminhadas e orientação. A outra metade ficou em casa.Depois de apenas cinco dias no retiro, os pesquisadores viram enormes ganhos nos níveis de empatia entre as crianças participantes. Aqueles no grupo experimental começaram a pontuar mais alto em suas sugestões emocionais não-verbais, mais frequentemente sorrindo para o sucesso de outra criança ou parecendo angustiados se testemunhassem algo desagradável.Os pesquisadores concluíram que: “Os resultados deste estudo devem introduzir uma conversa social muito necessária sobre os custos e benefícios da enorme quantidade de tempo que as crianças passam com as telas, dentro e fora da sala de aula”.

 

FONTES:

USP

Departamento de Dependência Tecnologica da USP

BBC

Psiquiatra Rossandro Klinjey