Musicalização na Educação Infantil

Música para quê?

Estudos comprovam que realizar esse tipo de trabalho ajuda a melhorar a sensibilidade das crianças, a capacidade de concentração e a memória, trazendo benefícios ao processo de alfabetização e ao raciocínio matemático. “A música estimula áreas do cérebro não desenvolvidas por outras linguagens, como a escrita e a oral. É como se tornássemos o nosso ‘hardware’ mais poderoso”, explica a pedagoga Maria Lúcia Cruz Suzigan, especialista no ensino de música para crianças. Essas áreas se interligam e se influenciam. Sem música, a chance é desperdiçada. Segundo Maria Lúcia, quanto mais cedo a escola começar o trabalho, melhor. “Essa linguagem, embora antes fosse mais comum, faz parte de cultura das crianças por causa das canções de ninar e das brincadeiras.

O psicólogo, terapeuta e professor da Faculdade Santa Marcelina, Brenno Rosostolato, completa ao dizer que quando a criança tem contato com a música, seja ouvindo ou interagindo mais ativamente com esse universo, ela pode desenvolver algumas características próprias com mais facilidade, como fala, dicção e coordenação motora, entre outras. Observe: não é à toa que existe uma grande quantidade de brinquedos educativos para bebês e crianças pequenas que emitem ou fazem barulhos e têm músicas. Você já prestou atenção nisso? E claro que não é apenas com os brinquedos que essa relação se estabelece.

Desenvolvimento da linguagem

Quando uma criança ouve ou canta uma música, ela vai armazenando palavras ao seu domínio. Mesmo quem não está alfabetizado vai adquirindo, ao longo do aprendizado, elementos que serão úteis para a formação das frases. A dicção também é um aspecto que pode ser aprimorado por meio da música. Cristina conta que uma de suas alunas tinha problemas na fala quando começou a fazer aulas de canto e conseguiu corrigir as palavras que pronunciava incorretamente, melhorando também sua respiração e entonação da voz.

Contato com matemática

O matemático Pitágoras é considerado pela ciência um pesquisador de música. Seu primeiro experimento foi esticar uma corda e perceber que sua vibração emitia um som. Esse foi o primeiro passo para, o que depois de muitos estudos e aprimoramentos, se tornaria a base da harmonia dos instrumentos de corda.

A experiência de Pitágoras é um das muitas que provam que a música está diretamente ligada com a matemática. Cristina exemplifica dizendo que a música é uma constante contagem de tempo e trabalha o raciocínio lógico, habilidade muito utilizada no ensino da matemática. Ela conta que um dos principais exercícios musicais é o aprendizado das escalas, para isso, o aluno precisa saber diferenciar um tom de um semitom, uma oitava de uma corda solta. Isso é pura matemática.

Não são poucos os estudos que demonstram que as crianças que participam plenamente em atividades musicais melhoram não só a sua memória, sua atenção e sua concentração, mas, também, suas capacidades motoras e de raciocínio complexo.

Ouvir música durante a infância ajuda o cérebro das crianças a criar certos padrões. Na medida em que mais padrões cerebrais possam ser formados nas primeiras idades, há mais possibilidades de melhorar o desempenho das crianças, tanto nas atividades intelectuais como físicas.

Por exemplo, alguns estudos indicam que as crianças podem recordar melodias que ouviram desde os três meses de idade, e que associar essas músicas a determinadas tarefas podem ajudá-las a reproduzir com mais facilidade a tarefa feita.

Caso semelhante é o da compreensão e a linguagem. As crianças que escutam música podem processar informações mais rapidamente: a compreensão e a linguagem são auxiliadas pela capacidade de processar informações mais rapidamente.

Alguns dizem que isso ocorre pelo fato de que a capacidade de compreender e processar a linguagem se desenvolve na medida em que se pode compreender os vários sons que a linguagem falada cria. Portanto, as crianças que frequentemente estão expostas à música aprendem mais rapidamente a discernir, ouvir e identificar diferentes sons complexos, facilitando a compreensão da linguagem.

Além disso, percebemos, também, que a musicalização tende a integrar a criança. Porque, quando ela canta, e, principalmente, quando se envolve com papéis de interpretação da música, especialmente junto ao seu grupo, ela sente-se integrada, e adquire consciência de que os colegas de turma são muito importantes, fato de grande valor para o convívio social. É interessante perceber que ela passa a vivenciar uma compreensão sobre o fato de que a cooperação com os companheiros de turma é fundamental, pois é do esforço comum que surgirá a possibilidade de alcançar os objetivos propostos pelo grupo.

 

FONTE :

NOVA ESCOLA

Centro de Produções Técnicas

Brasil Escola