Superproteção: Como Pode Afetar os Filhos na Educação

A aprendizagem não apenas durante a infância, mas também na vida adulta ocorre por “tentativa e erro”, por meio de experiências e também de regras e limites externos, por isso a criança precisa realizar e assumir, desde cedo, pequenas responsabilidades e pequena tarefas no seu dia a dia. Claro que estas tarefas devem transmitir leveza e mostrar que não há problema algum em realizá-la, caso contrário esta informação poderá gerar o efeito oposto, o que demandaria mais trabalho para reverter.

Quando há superproteção, há um cuidado exagerado dos pais e, na raiz desse comportamento, o desejo de que o filho não sofra, não seja submetido a qualquer esforço ou exponha-se a risco algum. Por medo, ansiedade, impaciência, egoísmo e até projeção da própria infância sobre a criança, muitos pais a colocam em uma redoma e impedem o seu livre caminhar.

Mas quando isso acontece?

Para deixar claro, existem muitos pais extremamente protetores que não fazem ideia que reproduz este comportamento com o(a) filho(a), pelo contrário, acreditam que estão certos. A superproteção aparece quando fazemos tudo para os filhos, mesmo que ele já tenha condição de fazer por conta própria.Basta que a criança de indício de alguma vontade para entrarmos em ação e resolver o ”problema” antes que ele surja. Dessa forma, a criança não exerce contato com os conflitos diários, pois ela é blindada de qualquer tipo de interação que, ao contrário do que os pais pensam, geraria expansão cognitiva, social, emocional e até motora.

A tentativa de superproteger o filho não é garantia de que está sendo oferecido o melhor para ele. Ao contrário, a criança superprotegida, na maioria das vezes, é dependente e passiva, socialmente tímida e emocionalmente imatura.

O sentimento de incompetência que se instala retarda seu amadurecimento, limitando a capacidade de lidar com frustrações. Tendo sido sempre alvo de constante atenção, sem o apoio e presença dos pais, mostra-se despreparada para lidar com as mais simples situações de vida.

Superproteger é impedir a criança de experimentar realizações. É dizer, numa linguagem não verbal: “não confio em sua capacidade”. Cuidado e proteção são indispensáveis. A criança protegida sente-se amada e desenvolve segurança, auto-confiança e auto-estima positiva, condições essenciais para a autonomia.

Uma pesquisa da Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, aponta que o comportamento dos pais tem influência direta nas atitudes dos filhos. Dados coletados por 70 estudos diferentes, envolvendo mais de 200 mil crianças, mostram que a forma como os pais conduzem a educação pode aumentar as chances da criança sofrer e também praticar bullying.

“Tal constatação deixa claro que o bullying não é um problema apenas das escolas. Os pais têm um papel muito importante nessa questão e devem ser alertados e encorajados a adotarem práticas positivas na condução do ambiente familiar“, afirma Lidia Weber.

Baseando-nos nas informações disponibilizadas acima, podemos concluir que a educação tanto didática quando social é afetada diretamente por mudanças de comportamento e emocional instável. Nada de bom resulta de uma criação que priva a criança de interagir e trabalhar em grupo. Lidar com as diferentes opiniões trás uma expansão indispensável para que a criança se torne um adulto bem resolvido, além de criar empatia para com o outro.

Disponibilizaremos abaixo outros pontos que afetam todas as áreas da educação e também são gerados pela Superproteção:

Atraso no desenvolvimento

Algumas atitudes, aparentemente inofensivas, prejudicam sem percebermos. Por exemplo, ao levar a criança ao banheiro antes mesmo de ela sinalizar essa necessidade, pode fazer com que ela encontre dificuldades de identificar suas próprias necessidades fisiológicas.

Outra questão é quando fazemos para os filhos as tarefas que eles já têm a capacidade de fazerem sozinhos (comer, tomar banho, se vestir). Falamos sobre isso no começo deste artigo, lembra?

Quando isso acontece, acabamos impedindo que eles treinem algumas habilidades, desfavorecendo o desenvolvimento da maturidade e da independência.

Quando tentamos auxiliar, antecipando o que vai acontecer, tiramos a possibilidade de a criança aprender com os próprios erros.

Consequentemente dificultamos a aprendizagem, que vem da percepção das consequências positivas e negativas das próprias ações, além de contrair a capacidade criativa

É certo que os pais não querem que os filhos sofram. Porém, facilidade nem sempre é sinônimo de felicidade.

Se não deixarmos que as crianças enfrentem alguns desafios agora, como farão com os desafios que vão se impor no futuro?

Se eles não puderem lutar pelo que querem, como vão se sentir vitoriosos diante de uma conquista, corajosos e confiantes para seguir adiante, desbravando o mundo?

Isolamento social

O excesso de proteção pode aprisionar. Algumas atitudes controladoras podem virar uma obsessão, sufocando e prejudicando o amadurecimento.

Acostumadas a sempre terem a proteção de um adulto, até mesmo dormir sozinhas pode se tornar amedrontador. Esse sentimento constante de alerta aumenta o estresse e a ansiedade nos filhos.

Quando impedimos os filhos de participar de atividades sociais, como os passeios escolares, estamos comunicando que o mundo é perigoso, que a criança não está segura longe de nós e, assim, transmitimos a eles nossos próprios medos. Isso pode gerar insegurança e dificuldades de socialização.

Dessa forma, é importante prestar atenção a esse tipo de conduta com crianças e jovens, pois na busca da individualidade e independência, muitos acabam se rebelando e se afastando da família. Outros acabam se refugiando nos mundos alternativos, como os videogames e a internet, uma realidade que vem crescendo a cada dia. Pais, fiquem atentos!!!

 

Impaciência

Quando os pais não permitem que seus filhos façam as coisas por conta própria, eles não entendem o valor do trabalho. Para essas crianças, basta pedir o que quiserem que elas vão conseguir.

Esse tipo de atitude promove a falta de empatia e a malcriação. Além disso, é manifestada, por exemplo, em forma de lágrimas e birra.

Dificuldade de lidar com frustrações

Ao superproteger, criamos os filhos em uma “bolha”, apresentando a eles uma visão distorcida da realidade.

Acostumados a receber de tudo, acabam tendo dificuldades de compreender que, na vida, muitas coisas estão além do nosso controle e que muitas conquistas exigem esforço e dedicação.

O fato é, acabamos tentando evitar frustrações no agora deixando que eles tenham frustrações no futuro, sem terem desenvolvido uma maturidade emocional para lidar com elas.

Além disso, ao crescerem achando que a função das pessoas ao redor é a de fazerem suas vontades, acabam culpando os outros pelos próprios problemas. Com isso, torna-se difícil que eles percebam seus erros e procurem fazer algo para melhorarem.

Portanto, reflita sempre sobre as suas atitudes na educação dos seus filhos, buscando um equilíbrio entre a proteção e o desenvolvimento de sua autonomia.

Deixe que eles aprendam com suas próprias experiências, para conseguirem lidar com os desafios desse nosso mundo.

Assim, poderá ajuda-los a serem pessoas confiantes e mais felizes e satisfeitas com si mesmas.

 

Baixa autoestima

A autoestima é algo que as crianças desenvolvem quando se colocam à prova ao enfrentar dificuldades, sejam elas superadas ou não.

Se nunca tiverem a oportunidade de fazer isso, devido a uma criação protetora, então elas não vão ser capazes de adquirir autoconfiança.

Essa qualidade sempre estará em declínio se os pais não permitirem que a criança se desenvolva. Quando isso acontece, o jovem não conhece suas habilidades nem desenvolve a coragem para enfrentar os problemas da vida cotidiana.

 

Desenvolvem medo e insegurança

Pais e mães que se excedem na proteção de seus filhos por medo de que algo ruim aconteça com eles, transmitem medo e insegurança.

Ao não saber como navegar pelo mundo, os filhos começam a ver tudo como uma ameaça e desenvolvem até mesmo fobia social, gerando o isolamento social que falamos acima. Ao dar aos nossos filhos uma criação super protetora, conseguimos torná-los pessoas inseguras.

Ao contrário do que foi dito acima, é necessário dar a eles a oportunidade de perceberem por si mesmos que são capazes de conseguir aquilo a que se propuserem.

Limita a aprendizagem

Afinal, este é o objetivo deste artigo, demonstrar como a superproteção limita e interfere a aprendizagem da criança. A aprendizagem é obtida experimentando e cometendo erros. Desde a infância, as crianças começam a cometer erros e a alcançar conquistas e fracassos.

É nesse momento que as técnicas para resolver as dificuldades do dia a dia devem ser ensinadas, para que dessa forma, no futuro, elas se tornem adultos responsáveis.

Problemas comportamentais

A falta de autoestima gerada pelo cuidado excessivo pode levar a problemas comportamentais nas próximas etapas de suas vidas.

Esses problemas podem aparecer na hora de socializar com os seus pares ou durante as aulas. Inclusive, podem até mesmo afetar o desempenho escolar.

 

Não conhecem a responsabilidade

Desde pequenos, devemos atribuir responsabilidades aos nossos filhos. Nem sempre é preciso ajudá-los em suas tarefas diárias, tais como organizar os brinquedos e arrumar a cama, ou dispensá-los de suas falhas e erros.

Isso porque, agindo dessa forma, gradualmente descartaríamos o conceito de responsabilidade diante deles.

As crianças devem ser ensinadas desde pequenas que a disciplina faz parte da vida e auxilia na resolução de imprevistos com mais facilidade, por exemplo. Assim, elas vão saber que, para conviver em casa e na sociedade, devemos ser responsáveis com nossas ações. Com isso, vamos formar bons homens e mulheres para o futuro.

Finalmente, é importante lembrar que, não importa quanto amor seja oferecido aos filhos, é impossível evitar que corram riscos e tenham fracassos e sofrimento.

Certamente, na vida, há muitas batalhas a serem travadas. Então, principalmente por isso é que devemos prepará-los para que consigam superar qualquer obstáculo. Para isso, é necessário evitar os perigos da superproteção a todo custo.

FONTES:

A falta de limites na educação dos filhos e a síndrome do imperador

Superproteção e negligência: extremos na educação dos filhos causam prejuízos permanentes

A superproteção na educação de seu filho

Superproteção pode gerar transtornos irreparáveis às crianças

Superproteção prejudica a educação dos seus filhos