Como trabalhar as habilidades socioemocionais que diminuem o Bullying

O  bullying é um dos problemas atuais que mais preocupam as famílias e os educadores. A prática já bastante conhecida no segmento educacional vem se tornando ainda mais complexa nos últimos anos com o surgimento do cyberbullying e dos desdobramentos que levam as vítimas a casos de depressão e ansiedade, podendo promover uma revolta bastante perigosa.

Dados mostram que o ensino das habilidades socioemocionais desde a infância é uma das estratégias mais significativas disponíveis hoje para promover sucesso estudantil e pessoal, pois a empatia e o colocar-se no lugar do outro são ações que auxiliar na formação de jovens capazes de respeitar as diferenças, mantendo um convívio saudável com a sociedade.

Além disso, pesquisas extensas apontam que a aprendizagem socioemocional melhora resultados acadêmicos, ajuda alunos a desenvolver autocontrole, melhora as relações da escola com a comunidade, reduz o bullying e os conflitos entre alunos, melhora a disciplina na sala de aula e ajuda jovens a serem mais saudáveis e bem-sucedidos na escola e na vida.

O gráfico 1, que pode ser encontrado no Site da Casel (casel.org), exemplifica o que acabamos de citar:

Nele encontramos as principais habilidades socioemocionais que precisam ser aprendidas:

  • Autoconhecimento – A capacidade de reconhecer as próprias emoções e pensamentos e como isso influencia o comportamento do sujeito.
  • Auto regulação – A capacidade de regular as próprias emoções, pensamentos e comportamentos em diversas situações.
  • Relacionamento Pessoal/Habilidades de Relacionamento – A capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis com diversos indivíduos e grupos.
  • Consciência Social – A capacidade de assumir a perspectiva do outro. Demonstrar empatia, incluindo aqueles de diversas origens e culturas.
  • Tomada de Decisões Responsáveis – A capacidade de fazer escolhas construtivas sobre comportamentos pessoais e interações sociais baseadas em padrões éticos, e normas sociais.

No gráfico 2 podemos também destacar a importância do papel dos adultos na relação com as crianças, quer seja na sala de aula, na escola como um todo, na família e na comunidade em que elas estão inseridas.

Essa questão é reforçada por McCoy, apresentado no gráfico abaixo que enfatiza a integração entre as áreas social, emocional e cognitivo.

De acordo com a Conferência Nacional de Legisladores Estaduais (NCSL), o desenvolvimento socioemocional é influenciado por três fatores principais: biologia, relacionamentos e meio ambiente. A biologia refere-se ao temperamento de uma criança e outras influências genéticas. Relacionamentos formados com familiares, cuidadores, educadores e outros são o veículo que impulsiona o desenvolvimento social e emocional ou, na mesma medida, retraem-no quando esses relacionamentos são abusivos e/ou violentos. Os fatores ambientais que afetam o desenvolvimento socioemocional estão interligados aos biológicos e relacionais: ambientes mais vulneráveis, com estresse tóxico, geram impactos negativos; ambientes mais harmônicos e com cuidados geram impactos positivos.

O desenvolvimento das competências socioemocionais das crianças é fundamental para o seu sucesso dentro e fora da escola (Duncan et al., 2007). Essas competências incluem a capacidade das crianças de entender suas próprias emoções, focar a atenção, relacionar-se bem com os outros e demonstrar empatia. Os programas de aprendizagem socioemocional implementados em escolas podem apoiar o desenvolvimento nas crianças dessas habilidades importantes, ao mesmo tempo que melhoram a performance dos professores (Durlak et al., 2011).

.Após absorvermos o quão importante é o desenvolvimento socioemocional das crianças e dos adolescentes, vamos mostrar algumas habilidades socioemocionais que devem fazer parte da rotina, não apenas dos pequenos, como dos adultos também.

Emocional

As habilidades emocionais estão diretamente ligadas a forma como reagimos às diversas situações do dia a dia. Com as crianças e os jovens, elas podem ser trabalhadas em diferentes atividades, mostrando a eles, por exemplo, a importância de saber ganhar e perder, de ser responsável pelas suas ações e de se manter autoconfiante, respeitando sempre as diferenças.

Social

Outro ponto fundamental para formar jovens conscientes de seu papel na sociedade é por meio do desenvolvimento das habilidades sociais, que estão relacionadas à forma como cada um interage com o mundo ao seu redor. Também durante a rotina escolar, os educadores conseguem desenvolver a cooperação entre os estudantes, a comunicação e a resolução de conflitos sem brigas, prezando sempre pelo diálogo. Esta parte é válida para discussões dentro de casa também e pode ser trabalhada nas partes mais simples como a escolha do jantar e o relacionamento entre irmãos.

Ético

No desenvolvimento das habilidades voltadas para os valores éticos, podemos destacar a importância de estarem inseridos em um ambiente no qual o respeito, a tolerância, a empatia e a aceitação das diferenças desde a Educação Infantil, valorizando as diferenças e praticando a compreensão nas relações.

Quando falamos sobre habilidades emocionais, estamos refletindo sobre o desenvolvimento da criança como um indivíduo, seus sentimentos e necessidades. Essas habilidades emocionais são indispensáveis para estimular o amadurecimento pessoal que vai determinar o tipo de cidadão que eles serão

Aqui deixaremos alguns benefícios que o estímulo dessas competências geram quando são praticadas:

Autoconfiança

Sem autoconfiança, ninguém consegue ter a força necessária para lutar pelos próprios sonhos. Por isso, ressalte as qualidades da criança, seja em atividades simples ou no bom comportamento com os colegas. Demonstre que você acredita na capacidade que eles possuem e, assim, a criança e o jovem vão acreditar na mesma coisa.

Estimule os comportamentos positivos e elogie quando necessário, mas sem exageros. A ideia é criar uma postura em que eles saibam lidar com críticas. Além disso, dê certa autonomia. Mostre que eles são capazes de realizar certa ações e atividades sozinhos, ao mesmo tempo em que deixa claro que você está ali, caso precisem da sua ajuda.

Coragem

Primeiro passo para estimular as crianças a enfrentarem seus medos é dar espaço para que elas se expressem. Ter medo de algo que não entendemos ou não conhecemos é normal e esperado dos pequenos. Então dê abertura para que eles sintam-se à vontade para revelar suas aflições.

Isso será muito importante para que consigam entender e encarar muito dos seus receios. Seja em exercícios e práticas escolares ou em casa, com medo do escuro. Para isso, planeje abordar livros e filmes que falem sobre medos. É legal também que os alunos compartilhem entre si suas aflições, em dinâmicas nas primeiras semanas de aula, e com os pais e membros da família.

Empatia

Estimule-os a confraternizarem entre si e a aprenderem a respeitar as necessidades do outro. Observe os comportamentos em momentos de conflito entre eles e faça com que todos reflitam sobre as atitudes. É fundamental que valorize ações das crianças que demonstram respeito e a intenção de ajudar os colegas.

Explique que isso é a empatia e que eles devem sempre optar por ver as coisas pela perspectiva do outro. Pense em atividades em que cada um deve colocar-se no lugar do outro e incentive-os sempre a se expressarem em simulações em sala de aula.

Frustrações

Ensine-os a lidar com suas frustrações. Na verdade, esse ensinamento deve vim junto com os pais, que saibam dizer não ou mostrar que não se pode ter tudo o quiser. É com pequenas doses de frustração que a criança vai aprender a lidar com as adversidades e a superar os problemas sem se deixar abater.

Persistência

Prepare atividades que incentivem seus alunos a persistirem no êxito. A ideia é fazer com que a criançada perceba que, por mais que não consigam completar logo de cara, não quer dizer que não irão ter sucesso. Isso irá mostrar que desafios sempre vão aparecer e que não devem desistir de início. Pelo o contrário: estimula as crianças e os jovens a serem persistentes e traçarem metas, superarando os obstáculos que podem surgir.

Autoconhecimento

“O que eu gosto?”, “como eu me sinto em tal situação?”, “Por que não gosto de certa atitude?”… Essas são algumas das indagações que os pequenos devem fazer para se conhecerem. Lembra daquelas dinâmicas para primeira semana de aula? Inclua no planejamento exercícios de autoconhecimento e faça com que a criança se descubra com o tempo. E isso pode ser feito também em pequenos detalhes, como cores favoritas, brinquedos, brincadeiras, desenhos e gêneros literários. Pergunte sempre o que eles gostam e porquê. Isso fará que pensem sobre seus valores e interesses.

Comunicação

Converse! Instigue sempre uma boa comunicação e dê voz para que sintam-se à vontade para se expressarem. Perguntem sobre o seu dia, o que gostariam de aprender no dia e o que planejam para o fim de semana, por exemplo.

Uma boa atividade para promover diálogos entre as crianças também é pedir para que contem sobre uma história ou como foi suas férias. O mesmo vale para os pais, que devem mostrar interesse na fala dos filhos sobre seu dia e práticas da escola.

Tudo isso ajuda os pequenos a estruturarem os próprios pensamentos, organizarem as ideias e transformá-las em frases. Além de sentirem a necessidade de contar naturalmente sobre si e seus gostos. Estas habilidades são formas de ajudar no desenvolvimento das crianças e a mostrar que elas podem se expressar de diversas maneiras. Assim como devem compreender que há certas regras sociais a serem seguidas e que é muito importante se conhecerem e saberem seus limites.

Lembrando que os ensinamentos das habilidades emocionais também são parte da educação e devem ser introduzidos no dia a dia de todos.

FONTES:

developingchild.harvard.edu

Artigo ”A aprendizagem socioemocional pode transformar a educação infantil no Brasil”

Artigo ”Habilidades socioemocionais: da escola para a vida”

Artigo ”Como as habilidades socioemocionais ajudam a diminuir as práticas de bullying”

Blog Estante Mágica

Blog Escola da Inteligência

Artigo ”Benefícios da Educação Socioemocional”