Aulas práticas que estimulam as novas gerações

A aula prática constitui um importante recurso metodológico facilitador do processo de ensino-aprendizagem nas diversas áreas disciplinares. Através da experimentação, aliar teoria à prática, possibilita o desenvolvimento da pesquisa e da problematização em sala de aula, despertando a curiosidade e o interesse do aluno.

Para Penin e Vasconcellos (1994; 1995 apud DEMO, 2011, p.9) “a aula que apenas repassa conhecimento, ou a escola que somente se define como socializadora do conhecimento, não sai do ponto de partida, e, na prática, atrapalha o aluno, porque o deixa como objeto de ensino e instrução. Vira treinamento”.

Entre tantos motivos, este é um dos que mostram que é de vital importância o aluno ter contato com este tipo de aprendizagem, pois possibilita a expansão na análise e movimento, incentivando o mesmo a praticar o ato do questionamento e formulação de respostas próprias sobre determinado assunto, questionando, criando teorias através de pesquisas.

Com o objetivo de transformar um conteúdo teórico e repetitivo mais interessante, motivador e próximo da realidade, o professor pode utilizar diferentes recursos como uso de apresentações de slides, vídeos, debates, feiras, atividades práticas, entre outros, procurando tornar mais fácil o aprendizado e compreensão dos conteúdos programáticos. Nas disciplinas da área de Ciências da Natureza, por exemplo, as saídas de estudos e as aulas práticas em laboratórios tornam-se importantes instrumentos de pesquisa, permitindo ao aluno experimentar situações problematizadas e vivenciar a teoria trabalhada em sala de aula.

Demo (2011, p. 13) salienta que a base da educação escolar é a pesquisa, e através dela é possível desenvolver no aluno o questionamento da realidade desenvolvendo a consciência crítica. Dessa forma, o aluno inclui a sua própria interpretação, formulação pessoal, aprende a aprender e a saber pensar.

Outra questão importante ressalta que os conhecimentos que os alunos adquirem fora da sala de aula devem ser valorizados, pois são importantes para a construção de novas estruturas mentais que auxiliam na construção de novas redes de conhecimento e a aperfeiçoar os que já tem.

Levando em consideração que o uso de teorias de ensino diferentes enriquece o trabalho em sala de aula, as atividades experimentais formam uma relevante ferramenta que permite ao professor constatar e problematizar o conhecimento prévio dos seus alunos, estimular a pesquisa, a investigação e a busca da solução de problemas. A postura experimental permite à exploração do novo e à incerteza de se alcançar os resultados esperados da pesquisa, além da ideia de tornar o aluno o sujeito da ação (FRACALANZA et al., 1986 apud RONQUI, 2009).

As aulas práticas devem ter seu valor reconhecido. Elas estimulam a curiosidade e o interesse de alunos, permitindo que se envolvam em investigações científicas, ampliem a capacidade de resolver problemas, compreender conceitos básicos e desenvolver habilidades. Além disso, quando os alunos se deparem com resultados não previstos, desafia sua imaginação e seu raciocínio. As atividades experimentais, quando bem planejadas, são recursos importantíssimos no ensino

Portanto, é preciso ter cuidado ao planejar essas atividades para garantir que as mesmas proporcionem um espaço de reflexão, desenvolvimento e construção de ideias, ao lado de conhecimentos de procedimentos e atitudes, não se limitando a nomeações e manipulações de vidrarias e reagentes (BRASIL, 1998 apud RONQUI, 2009).

Existem diversos estudos que comprovam a eficiência das aulas práticas para a melhor absorção de conteúdo, além de preparar as crianças e os adolescentes da melhor forma possível para pensarem por conta própria e agirem de forma rápida quando se depararem com um problema que não tem conhecimento algum.

Devemos incentivar cada vez mais a pesquisa autônoma para que crie-se o costume de pensar por conta própria e a chegar a conclusões, além de indagar o que não compreende ao invés de simplesmente ignorar.

O incentivo a este tipo de prática deve ser incentivado tanto pelos professores quanto pelos pais, inclusive em atividades simples que podem ser criadas dentro de casa para desenvolver o ato da pesquisa e análise prática na criança e no adolescente.

REFERÊNCIAS:

DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. 7. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.

DEMO, Pedro. Educação e conhecimento: relação necessária, insuficiente e controversa. Petrópolis, Vozes, 2000.

MONOGRAFIAS BRASIL ESCOLA. Disponível em: http://monografias.brasilescola.com/fisica/laboratorio-divergente-alternativo-para-ensino-fisica.htm. Acesso em 11 de Dezembro de 2013.

MOREIRA, Marco Antônio.(1999). Aprendizagem significativa. Brasília: Editora da UnB. Revisado em 2012.

RONQUI, Ludimilla; SOUZA, Marco Rodrigo de; FREITAS, Fernando Jorge Coreia de. A importância das atividades práticas na área de biologia. Revista científica da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – FACIMED. 2009. Cacoal – RO. Disponível em:http://www.facimed.edu.br/site/revista/pdfs/8ffe7dd07b3dd05b4628519d0e554f12.pdf. Acesso em 03 de Dezembro de 2013.

VIVIANI, Daniela; COSTA, Arlindo. Práticas de Ensino de Ciências Biológicas.  Centro Universitário Leonardo da Vinci – Indaial, Grupo UNIASSELVI, 2010.