Atividades que Estimulam a Coordenação Motora em Casa

Antes de ensinar qualquer técnica, devemos entender que existem dois tipos de estímulo relacionado à coordenação motora. Já ouviram falar em coordenação motora fina e grossa? Vamos às explicações: A coordenação fina envolve, por exemplo, a função de escrever, fazer desenhos, pinturas, colagens, recortar papel, traçados em folhas. Ela é responsável pelo trabalho de pequenos músculos, localizados, principalmente, nas mãos e nos pés. É imprescindível que os exercícios estimulantes sejam aplicados gradativamente, respeitando a idade da criança. O aconselhável é que se promovam exercícios que sigam do mais fácil ao mais difícil. Já a coordenação grossa dá força para a criança correr, pular, dançar, caminhar ou qualquer outra atividade envolvida pelo impulso físico encontrada na coordenação motora grossa. Ela abrange todos os músculos que possibilitam os pequenos a essas brincadeiras. Assim como a fina, a coordenação motora grossa também precisa ser estimulada desde a primeira infância. Vale lembrar que também podemos entendê-la como coordenação motora ampla. Agora que esclarecemos os pontos básicos e as diferenças existentes dentro do assunto coordenação motora, podemos dizer que atividades simples feitas em casa com as crianças podem trazer grandes benefícios para o desenvolvimento e facilidade com diversas áreas que serão apresentadas às crianças futuramente, auxiliando, inclusive, na aquisição de memórias de longo prazo e rápida absorção de conteúdo. Devemos ter em mente que no começo a paciência é essencial para que o resultado seja satisfatório e a criança sinta-se motivada a continuar e não pressionada e pendendo para a desistência, já que o intuito não é frustrar a criança e sim desenvolver seu potencial. Uma das maneiras mais eficazes de se treinar a criança na questão da coordenação fina é através de exercícios que envolvam os movimentos das mãos. Sendo assim, as atividades que trabalham com pontilhados são as mais indicadas. O mais interessante é que isso pode ser feito de várias maneiras: giz de cera, lápis, tinta guache, colagem de papeis, barbantes e lãs.   Vale lembrar que esse estímulo pode ser feito a partir do maternal e passar para as próximas etapas, como a educação infantil 1 e 2, por exemplo. Já no desenvolvimento da coordenação motora grossa das crianças, nada melhor que promover tarefas divertidas, como correr, brincar de pega-pega, pular, brincar de amarelinha e tudo aquilo que fez parte da nossa infância também. Essas atividades são extremamente importantes para enriquecer estas funções musculares nas crianças. Outra dica é encontrar objetos que sirvam de complemento para as brincadeiras: bolas, cordas, etc. Passeios no parque, brincadeiras com bola, bicicleta, patins, entre outras atividades que coloquem o corpo em movimento devem ser estimuladas para que o desenvolvimento da coordenação motora grossa evolua de forma satisfatória. Vamos deixar algumas brincadeiras básicas para estimular a imaginação e dar a ajuda inicial que precisamos para começar a participar mais de perto no desenvolvimento consciente da coordenação motora dos pequenos:

1) Manipulação de revistas (folhear, rasgar o papel, amassar, enfim… brincadeiras que auxiliem manipulação motora).

Esta atividade ajuda a criança a controlar melhor sua ação motora para poder rasgar e amassar direito e com limites, ajuda na manipulação de materiais para transformá-los em novas formas, estimulando a criatividade, a percepção visual e a atenção sustentada para persistir na atividade até concluí-la. Também auxilia na redução de movimentos inúteis ou desestabilizadores para executar melhor as atividades. Além disto, manipular este tipo de material deixa a criança mais íntima e familiarizada com letras, números e material impresso.

2)   Massinha: fazer pão, biscoito ou simplesmente massinha de modelar.

O uso de massinhas, além de muito prazeroso para a criança, ajuda a criar formas e abstrair imagens no concreto auxiliando no autocontrole, na atenção e na coordenação motora sequencial. Massinhas coloridas e associação com espátulas dinamiza mais este recurso ajudando-a a visualizar e materializar novas formas e novos objetos que serão criados a partir de uma massa sem forma definida.

3)   Enfiagem de macarrão em fios ou com barbantes coloridos.

Esta atividade ajuda a criança a “acertar o alvo” do buraco ao qual deverá introduzir o barbante. Isto estimula a atenção, a coordenação motora fina e prepara a criança para o uso futuro do lápis, pois simula a ação que envolve este instrumento. Este tipo de brincadeira pode ser ampliado unindo objetos, formando letras e números, aprendendo a dar nó, pendurando coisas, unindo formas e ajudando a criança a memorizar sequências de tarefas.

4)   Dedoches.

Imagens e totens que podem ser fixados nos dedos das crianças podem ser muito úteis para coordenação motora, pois auxiliam no uso dos dedos para teatralizar personagens numa sequência de histórias. Isto permite à criança aprender a associar palavras com ações coordenadas, unindo processos de linguagem ao processamento visual e decisão de movimentar determinados dedos.

5)   Pintura com guache.

Usar pincéis para pintar é um recurso valioso para a coordenação motora, pois permite que as crianças controlem melhor a preensão do pincel, sintam a consistência do instrumento sendo pressionado no papel, compare a necessidade de colocar mais tinta de acordo com o que fica representado no plano do papel. O guache seca rápido, não? Então, a criança deve agilizar a pintura para que resulte numa imagem homogênea estimulando-a a usar o tempo como um modulador da prática motora.

6)   Dobraduras simples.

As dobraduras estimulam noção de proporção, espaço, linearidade na ação motora, criatividade, atenção seletiva e sustentada e memorização de formas e sequências. Dependendo do material que será dobrado, ajuda a criança a usar sua força de acordo com a resistência do material. Enfim, estas brincadeiras devem ser realizadas em casa e na escola a fim de sejam amplamente desenvolvidas pela criança antes que ela chegue na fase de alfabetização. Além disto, engajam os pais a participarem de meios lúdicos junto aos seus filhos aprofundando as relações afetivas e conhecimento espontâneo acerca do que seu filho gosta e de como ele reage a desafios e erros. As brincadeiras representam muito mais do que parece, não?